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Silvio pessoa – Presidente da Federacão Baiana de Hospedagem e Alimentação


Publicado em: 31/05/2020 14:17
Por: Redação Bahia Municípios com Portal Bahia Econômica Foto: Ag. Divulgação


Por: João Paulo Almeida

Bahia Econômica: O turismo tem sido um dos segmentos mais prejudicados pela quarentena. Existem setores que estimam um nível de fechamento de hotéis bares e restaurantes chegando a 50% no período pós pandemia. Na sua opinião qual será o principal impacto do isolamento social no turismo da Bahia?

Silvio Pessoa – O turismo foi o primeiro setor atingido e será o último a recuperar-se pois no momento de crise econômica lazer e alimentação fora de casa serão os últimos itens de consumo que voltaremos a ter. Estamos passando pela pior crise econômica de nossa história dos últimos tempos. Lembro, que na hotelaria não houve decreto para fechamento dos mesmos mas, calculamos que 95% dos 4063 hotéis do estado estão fechados por iniciativa própria e os que teimam em permanecer abertos não atingem a 10% de ocupação mensal, e repito, para atingir o ponto de equilíbrio é necessário entre 50% e 60% de ocupação. No setor de bares e restaurantes e seus 26 mil estabelecimentos, estamos oficialmente fechados há mais de 60 dias, e infelizmente o decreto foi prorrogado até 01 de junho.

BE- O turismo sempre foi um dos que mais empregam na Bahia e no Brasil. Na sua opinião qual será o principal impacto do isolamento social para geração de empregos e demissões no turismo no período pós pandemia?

SP – Nossa força de trabalho no estado conta com mais  de 200 mil empregos diretos e 750 mil indiretos, totalizando quase 10% da mão de obra ativa na Bahia, calculamos que 30%  de nossos colaboradores em hotelaria foram desligados e mais de 40% em bares e restaurantes também perderam o emprego. Depois do agronegócio somos os maiores empregadores em nosso estado. Nossa projeção é que 50% dos bares e restaurantes estão tecnicamente falidos pois fazem 02 meses que não tem receita e estão sem capital de giro impossibilitando o retorno a operação.

BE- Como o senhor avalia as medidas do governo federal como liberação de crédito e isenção de pagamentos como forma de sustentar o turismo nesse período de portas fechadas?

SP – As MPs 927 e 936 tem que ser renovadas por pelo menos mais 6 meses por parte do Governo Federal (redução da carga horária e suspensão de contrato de trabalho). As mesmas iniciaram em abril e estão para findar no próximo mês. Linhas de crédito do Governo Federal são de difícil acesso pois são muito restritivas e devem ser simplificadas. 80% dos que tentaram não conseguiram crédito.

Precisamos também de parcerias dos Governos Estaduais e Municipais pois até hoje não tivemos um aceno sequer e nossos impostos continuam a chegar religiosamente. O turismo representa 7,5% do PIB do estado, 20% em nossa capital e em algumas localidades a exemplo de Porto Seguro, Mata de São João e Morro de São Paulo chegam a 80% do produto interno brutos destas cidades. Interagimos em mais de 50 setores da economia pois consumimos produtos industriais, hortifrúti, pecuários, enxovais, além de construção e reforma dos mesmos e os turistas consomem os diversos produtos em nossas cidades.

BE- Na sua opinião os bares e restaurantes devem reabrir ?

SP – Em muitas cidades turísticas a exemplo de Gramado, Florianópolis e Curitiba os bares e restaurantes estão abertos há algum tempo. Nesses locais foram feitos protocolos rígidos pela vigilância sanitária de reabertura bem como o distanciamento de mesas e cadeiras e uso de todos os EPIs necessários.

Mas a população continua com medo de sair à rua e não houve grande demanda, além é claro, da recessão que assola o bolso de todos. Bares e restaurantes como outros setores devem abrir urgentemente pois a economia precisa girar. Reabertura (é claro) com responsabilidade sanitária e isolamento vertical. Empregadores e empregados tem que ter um meio de subsistência para que possam gerar empregos e consumir bens de consumo.

BE- Qual a sua expectativa para o resultado final do turismo no ano de 2020?

SP- 2020 em função da pandemia será o pior ano dos últimos 50 anos. Estamos focando no turismo doméstico interno estadual via transporte terrestre neste primeiro momento e dependemos de como responderá a malha aérea nacional para atingirmos outros estados, estamos em compasso de espera. Alguns hotéis planejam reabrir em julho projetando uma ocupação inicial de 20% a 30% e almejando 50% de ocupação somente em janeiro de 2021, mas tudo vai depender de como reagirão as nações e o estado brasileiro. Torcemos para que seja rápido pois este é o nosso desejo mas, o futuro ainda é uma incógnita. “O turismo é a mola propulsora de nossa economia”.

Foto: divulgação

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