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Rui Costa e ACM Neto estão desconfortáveis no atual quadro político


Publicado em: 23/09/2019 8:54
Por: Ag. de Notícias | Foto: Divulgação


O governador Rui Costa não se sente confortável no seu partido e sua entrevista na Revista Veja na semana passada deixou isso muito claro. A Comissão Executiva Nacional do PT rebateu as afirmações do governador discordando explicitamente com vários pontos: a exemplo da estratégia do partido no enfretamento ao governo Bolsonaro; a situação da Venezuela e a ênfase na campanha do Lula Livre. E o desconforto aumentou quando o próprio Lula veio a público para criticar a entrevista de Rui e dizer que ele não teria levado em consideração que os partidos da sua base na Bahia não são aliados do PT a nível nacional e que o Brasil é totalmente diferente da Bahia Após a critica contundente do presidente de honra do PT e seu maior líder, só restou ao governador  afirmar que o assunto estava superado e que “a Bahia tinha muito a oferecer ao povo brasileiro”. O desconforto foi tanto que vários partidos aliados perceberam a saia justa do governador e imediatamente o convidaram para mudar de partido(aqui). Mais uma vez Rui desconversou, agradeceu as ofertas, mas disse que continuaria no PT. O episódio demonstrou claramente as divergências de opinião entre o governador e seu partido, mas deixou explícito também que são muitos os caminhos que estão à sua disposição, em se tratando de futuro político.

O Prefeito ACM Neto, por outro lado, não tem qualquer problema com relação ao seu partido, onde ocupa a presidência e está completamente afinado com sua maior liderança, o presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia. Além disso, parece manter uma relação de colaboração com o Presidente da República – que tem acatado seus pleitos inclusive no relacionado a ocupação de cargos federais na Bahia –  e com seu partido, o PSL, que tem uma cadeira no seu secretariado. Mas ACM Neto parece bem desconfortável quanto se trata das declarações do Presidente Bolsonaro nas questões relacionadas aos costumes e mesmo a determinadas decisões. O Prefeito vem criticando a postura do governo federal com relação à política de meio ambiente, não concorda com a política de cortes na educação e tampouco com a chamada “agenda de costumes”, um dos principais temas bolsonaristas. Além disso, disse sem meias palavras que se fosse presidente, jamais indicaria um filho para ser embaixador e que descarta qualquer apoio nacional nas eleições municipais de 2020, seja do presidente ou de qualquer outro líder. A verdade é que, prefeito de uma cidade cuja matriz é a diversidade, ACM Neto mostra-se nitidamente desconfortável com as declarações retrógradas e conservadoras de Bolsonaro, isso sem contar que a avaliação negativa (ruim e péssimo) do governo federal em Salvador é superior a 50%.

O fato é que, por motivos diferentes, tanto o governador Rui Costa, quanto o Prefeito ACM Neto não estão lá muito confortáveis no quadro político nacional. Naturalmente, esse tipo de desconforto não tem efeito político imediato, é próprio da atividade política, e pode ser apenas um incômodo passageiro. Mas quando a disputa eleitoral começar de verdade aí não vai haver lugar para desconforto de qualquer tipo.

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