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Rui Costa e ACM Neto: Antagonistas na política, unidos na gestão


Publicado em: 11/06/2020 9:56
Por: Jorman Santos Fotos: Divulgação


Exemplo de gestão durante a pandemia, a aliança dos adversários políticos deveria servir de exemplo para o Brasil.

Rui Costa (PT), governador da Bahia, e ACM Neto (DEM), prefeito de Salvador, têm atuado em parceria na luta contra o coronavírus. O gestor do estado e o da capital baiana, deixaram as diferenças de lado e têm concentrado seus esforços no enfrentamento da pandemia. Em comum nas ações realizadas por ambos, está o fato de seguirem a risca as normas estabelecidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), o que tem rendido elogios por parte da mídia e de setores da sociedade, servindo de exemplo para outras capitais e outros estados do país.

É evidente que nem tudo são flores, existem críticas pesadas com relação à gestão de ambos, sobretudo na parceria que definiu os critérios para a reforma da previdência em nível municipal e estadual, além do tratamento dado aos servidores públicos. Por outro lado, houve uma disputa benéfica entre Rui Costa e ACM Neto, na qual a cidade de Salvador foi uma das mais beneficiadas, obras de revitalização urbana, melhoria do transporte público, investimento em cultura, esporte e agora durante a pandemia foi concedido um auxílio financeiro e alimentar aos estudantes da rede pública.

Os dois gestores encontram-se em seu segundo mandato, e não poderão mais disputar o mesmo cargo nas próximas eleições, ambos tiveram votações expressivas em suas reeleições, sendo eleitos ainda no primeiro turno. ACM Neto poderá disputar o governo do estado em 2022 e Rui Costa poderá disputar uma vaga no Senado, mas não está descartada uma tentativa de disputar a própria presidência da república, ou mesmo se colocar como vice dentro de uma chapa. No entanto, seria necessária sua saída do PT, já que a ala que comanda o partido, geralmente escolhe seus candidatos a presidência a partir de quadros do Centro-Sul do país.

ACM Neto, também possui grandes chances de disputar uma possível presidência da república no futuro, o prefeito de Salvador é o principal herdeiro político do avô, Antônio Carlos Magalhães, que por muitas décadas comandou a política baiana e exercia forte influência no cenário nacional.

Os principais líderes políticos da Bahia, tem se comportado como verdadeiros estadistas, em nenhum momento durante a pandemia, houve troca de críticas ou acusações entre os gestores, muito pelo contrário, em diversas ocasiões Rui e Neto apareceram juntos, para levar esclarecimento e informação para a população.

Outros estados como o Ceará, São Paulo e o Amazonas, também apresentam o governador do estado e o prefeito da capital em sintonia, na luta contra o coronavírus, mas nesses casos os gestores pertencem ao mesmo grupo político, ou não são rivais históricos como no caso baiano. O fato é que a postura adotada por Rui Costa e ACM Neto, deveria servir de exemplo para a política nacional, onde tanto governo quanto oposição, dedicam mais tempo na troca de farpas e acusações, do que na adoção de medidas capazes de melhorar a vida da população.

Desde a eleição de Fernando Collor de Mello, em 1989, o país vive numa disputa infrutífera entre governo e oposição, todos os presidentes desde então sofreram pedidos de impeachment, onde dois deles foram afastados (Fernando Collor e Dilma Rousseff). Essa situação demonstra como nosso modelo político está falido, ultrapassado e ineficiente. Em um dos momentos mais difíceis e imprevisíveis da história da humanidade, a maioria dos países concentra esforços em combater um inimigo em comum, enquanto o Brasil se torna cada vez mais um pária mundial, ou seja, não bastasse ter que enfrentar a pandemia, ainda convivemos com uma crise política interminável.

É muito simples resumir o cenário político brasileiro dos últimos trinta anos, pois a prática de quem assume o governo e de quem faz oposição pouco tem se diferenciado nesse período. Não existe um projeto de país, não há uma preocupação com as necessidades fundamentais da população, e a disputa política, de pleito propriamente dito, que deveria estar circunscrita ao período eleitoral, acaba se arrastando pelos quatro anos de mandato.

O governo acusa a oposição de se aproveitar dos momentos difíceis para se promover, ao mesmo tempo em que não apresenta soluções efetivas para os problemas do país. Já a oposição aposta na política do quanto pior melhor, fazendo de palanque os problemas e dificuldades que acometem o Brasil. Ninguém tem sido capaz de reconhecer suas próprias falhas, ou estender a mão ao adversário em prol do país, essa situação acabou por produzir movimentos extremistas de um lado, e altamente enraizados com pautas identitárias de outro, e que são incapazes de melhorar a vida da população.

Dessa forma, as atitudes tomadas pelo governador da Bahia e pelo prefeito de Salvador merecem ser destacadas, não se trata, no entanto, de classificar como modelos de gestão perfeita, mas sim, de reconhecer que em momentos difíceis faz-se necessário uma postura de estadista, altruísta, capaz de deixar as diferenças de lado e tomar decisões conjuntas em prol de um benefício maior, com foco na coletividade.

 

Jorman Santos
Formado em Geografia pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, possui especialização em Ensino de Geografia e Planejamento de Cidades ambas pela UESC, também é mestre em Geografia Urbana pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Atua há mais de uma década como professor de cursinhos preparatórios para concursos públicos, ENEM e vestibulares de todo o país.

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