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Rui Costa derrota Soldado Prisco e sua greve


Publicado em: 11/10/2019 9:16
Por: Raul Monteiro*


Até o princípio da noite de ontem, o governador Rui Costa (PT) ganhava de goleada do deputado estadual Soldado Prisco (PSC) no quesito greve da Polícia Militar. E tinha tudo para encerrar o jogo como único vitorioso até a manhã de hoje. Rui manejou bem sua comunicação desde a noite de terça-feira, quando o suposto movimento paredista foi deflagrado, mirando única e exclusivamente a figura de Prisco, seu líder público, ao tratar da paralisação, estratégia que repetiria na manhã de ontem, elevando ainda mais o tom contra o parlamentar, que foi indiretamente chamado por ele de bandido, marginal e criminoso.

De fato, a sociedade passou a tarde sem a necessidade de questionar a garantia do governador de que o nível de adesão à greve deflagrada e liderada por Prisco era próximo de zero, ficando restrita a um pequeno grupo que a encampou, insuficiente, portanto, para que o movimento possa prosseguir, como seria o desejo do parlamentar. Com o enfraquecimento da mobilização ou mesmo a constatação de sua inexistência, o que se viu foi a revolta contra Prisco tomar conta da população, principalmente a mais pobre, tradicionalmente a mais vulnerável nesse tipo de ocorrência, devido aos transtornos provocados pelo anúncio da greve.

Diante da situação, o que se espera é a auto-rendição e consequente fracasso do movimento, além do enfraquecimento de Prisco como líder inconteste da corporação, que deve procurar uma figura à altura para representá-la no caso de, efetivamente, ter questões, como se supõe que haja, a resolver com o governo. Se tentar prosseguir com o movimento, o deputado vai, ao que tudo indica, marchar rumo à completa desmoralização, mostrando que se desconectou da estratégia que o norteou, permitindo que galgasse a condição de político depois de enfrentar, então apenas como líder da corporação, com extrema coragem, o governo Jaques Wagner (PT).

O preço pago foi o de uma implacável perseguição que resultou, inclusive, em sua prisão e em vários processos, a alguns dos quais o governador deve ter se referido na mais dura entrevista que já deu contra um adversário, ontem pela manhã. Quanto a Rui, mostrou que soube usar o conhecimento acumulado desde o primeiro movimento liderado por Prisco que levou o Estado ao caos sob a gestão Jaques Wagner. Além de ter buscado se cercar de que a tropa estava sob controle pelo seu Comando oficial, trabalhou com a perspectiva de atender a demandas da classe num processo de intermediação que não passasse pelo deputado, minando sua liderança.

Também agiu rápido junto à Procuradoria Geral do Estado no sentido de responsabilizar o deputado e punir PMs que aderissem ao movimento, invocando a legislação que proíbe greves na corporação, e colocou a Polícia Civil no encalço de grevistas que supostamente teriam praticado atos de vandalismo na terça-feira à noite a fim de espalhar o sentimento de insegurança na população. Assim, mostrou que agia em favor da sociedade e não apenas de uma categoria, um ponto a mais para a biografia de gestor exemplar com que procura se apresentar.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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