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“O desejo da cidade é decidir essa eleição no primeiro turno”


Publicado em: 09/11/2020 18:33
Por: Tribuna da Bahia, Salvador Foto: Betto Jr. Va Salomão


Por: Guilherme Reis – Editor de Política; Rodrigo Daniel Silva – Repórter e Paulo Roberto Sampaio – Diretor de Redação

Candidato do DEM à prefeitura de Salvador, Bruno Reis se mostrou confiante e acredita que a eleição na capital baiana pode ser decidida no próximo domingo. “Com muita humildade e respeito que nós temos a todos os adversários, reconhecendo que têm seus valores, serviços prestados e história, a gente percebe na rua o desejo da cidade de decidir essa eleição no primeiro turno. Vamos seguir trabalhando até o último minuto mobilizando todos, mostrando que o nosso projeto é o melhor para a cidade nos próximos quatro anos”, declarou. Ainda na entrevista à Tribuna, o atual vice-prefeito promete dar continuidade aos projetos do governo ACM Neto (DEM), justifica a ausência no debate da OAB-ABI e fala como será a relação com os governos estadual e federal, se eleito.

Sobre a saúde, ele falou sobre a meta para a atenção básica: “A meta chegar a 72%, que preconiza o Ministério da Saúde. Sendo que nos distritos sanitários, onde há maior demanda por serviços públicos, como Subúrbio, chegar a 100% de cobertura. Com isso, nós vamos permitir que o médico esteja perto da casa das pessoas. Salvador avançou muito. Tinha apenas 108 equipes de saúde da família. Hoje, nós temos hoje 356 equipes. Só na área de Saúde foram 5 mil profissionais contratados. Vamos seguir avançando, implantando a primeira maternidade municipal, implantar uma clínica da dor. Vamos implantar um centro especial de reabilitação em Cajazeiras, além de novos multicentros de Upas, como também enfrentar a questão dos serviços de média e alta complexidade”. Bruno Reis também rebate a declaração da candidata do PCdoB, Olívia Santana, que acusou a Secretaria de Reparação de ser apenas figurativa.

Tribuna – Como valia a campanha eleitoral até este momento?

Bruno Reis – É uma campanha diferente. Tivemos que nos reinventar para seguir todos os protocolos exigidos pela necessidade do isolamento social. Porém, não podíamos perder o momento de conversar com a cidade, de levar as nossas ideias e as nossas propostas para os quatro cantos. Mesmo com as limitações impostas pela pandemia, nós estamos chegando ao final cumprindo esse objetivo. Graças a Deus, ao trabalho que foi feito ao longo desses anos e o sentimento latente no coração das pessoas de ver a nossa cidade avançar, a receptividade, o carinho, o apoio das pessoas têm sido impressionantes. O que nos estimula a trabalhar ainda mais.

Tribuna – As pesquisas têm mostrado seu crescimento na intenção do eleitorado. O senhor acredita em uma vitória no primeiro turno?

Bruno Reis – Com muita humildade e respeito que nós temos a todos os adversários, reconhecendo que têm seus valores, serviços prestados e história, a gente percebe na rua o desejo da cidade de decidir essa eleição no primeiro turno. Vamos seguir trabalhando até o último minuto mobilizando todos, mostrando que o nosso projeto é o melhor para a cidade nos próximos quatro anos. Entregamos na mão de Deus e da cidade o nosso futuro. O que nós queremos é construir nos próximos quatro anos uma cidade ainda muito melhor.

Tribuna – O que pesou na sua decisão de não comparecer ao debate promovido pela OAB e ABI?

Bruno Reis – Participei de todas as sabatinas de veículos nacionais e locais. Participei de todos os encontros com os mais diversos segmentos da sociedade, empresariais, sociais, comunitários. Já havia participado de dois outros debates, e havia marcado anteriormente um encontro com o segmento religioso que é muito forte em nossa cidade. Não tínhamos outro momento para realizar debate com esse segmento. A nossa coordenação de campanha entendeu que eu deveria participar desse encontro.

Tribuna – Os seus adversários criticaram muito o cancelamento de debates pelas emissoras de televisão. Como o senhor viu essa decisão das emissoras? Prejudicou a campanha?

Bruno Reis – Acho que os debates são extremamente importantes para as eleições. As três principais emissoras de TV do Brasil tomaram essa decisão. Não foi uma decisão local. Foi uma decisão nacional. A gente lamenta. Queria que tivesse o debate. Não ocorrendo temos que nos reinventar, como essa entrevista, as sabatinas. Esse momento de apresentar o que pensa, o plano de governo, as ideias para o presente e futuro da cidade.

Tribuna – O Republicanos (antigo PRB) pressionou para o indicar o vice na sua chapa. A relação com o partido hoje está pacificada mesmo?

Bruno Reis – A relação com o Republicanos sempre foi a melhor possível. A relação é no mais alto nível. São homens e mulheres que querem o melhor para a nossa cidade. Era natural que cada partido tivesse as suas pretensões. Graças ao trabalho que nós fizemos havia um desejo não só dos Republicanos, mas de todos os outros partidos da base de poder indicar a vice para disputar as eleições juntos. Ao final, colocando acima de tudo o desejo de ver uma cidade ainda melhor, nós chegamos a um entendimento. Somos parceiros e aliados desde a primeira hora. Não houve em nenhum momento qualquer arranhão na nossa relação. Sou muito grato ao apoio que tenho do Republicanos. Sem sombra de dúvidas, um dos maiores partidos da minha base. Tinha todas as condições de ter candidatura a prefeito ou até mesmo indicar a vice. Mas entendendo que nesse momento para a gente construir uma ampla aliança para a cidade a avançar, nós nos entendemos e estamos juntos nesse processo. Quero aproveitar a oportunidade para agradecer o apoio na figura do deputado federal e presidente do partido, Marcio Marinho, a colaboração que eles têm dado ao longo desses oito anos no nosso projeto. Graças aos trabalhos dos seus quadros, a cidade avançou muito em todas as áreas.

Tribuna – Qual será o espaço dos Republicanos na sua eventual gestão?

Bruno Reis – Nós sempre colocamos a gestão na frente da política. A melhor forma de fazer política é fazendo entregas, dando resultados. Primeiro tem que ter o resultado administrativo. O Republicanos, como outros partidos da base, que tenham quadros qualificados, não terá dificuldade em escolhermos esses quadros para ajudar com o governo. Adotando a mesma sistemática que fizemos nos últimos oito anos e deu certo. Montamos um time. A gente ouve as pessoas falando na rua que time que está ganhando não se mexe. Então, com esse mesmo critério, vamos montar uma equipe qualificada para fazer a nossa cidade elevar ainda mais o seu patamar.

Tribuna – Qual vai ser a marca de Bruno Reis se eventualmente for eleito?

Bruno Reis – Todos os projetos estão assegurados. Com a gente, não há a hipótese de a cidade recuar, retroceder. Pelo contrário, vamos avançar ainda mais, colocar Salvador ainda mais, seguir avançando em todas as áreas. Salvador ocupava as últimas posições. Pior Educação do Brasil, pior Saúde do Brasil, capital nacional do desemprego, o último lugar em gestão fiscal. Em muitas áreas, nós já ocupamos as primeiras posições. Em todas, nós crescemos mais do que todas as outras capitais. Vamos seguir imprimindo esse mesmo ritmo. É verdade que vamos usar da tecnologia, da inovação para dar um salto em qualidade nos serviços públicos, dando ainda mais eficiência. Não tenha dúvida que priorizaremos ainda mais os investimentos na área carente.

Tribuna – A atenção básica da Saúde avançou. Hoje, está em 56%. Qual a meta da sua gestão?

Bruno Reis – A meta chegar a 72%, que preconiza o Ministério da Saúde. Sendo que nos distritos sanitários, onde há maior demanda por serviços públicos, como Subúrbio, chegar a 100% de cobertura. Com isso, nós vamos permitir que o médico esteja perto da casa das pessoas. Salvador avançou muito. Tinha apenas 108 equipes de saúde da família. Hoje, nós temos hoje 356 equipes. Só na área de Saúde foram 5 mil profissionais contratados. Vamos seguir avançando, implantando a primeira maternidade municipal, implantar uma clínica da dor. Vamos implantar um centro especial de reabilitação em Cajazeiras, além de novos multicentros de Upas, como também enfrentar a questão dos serviços de média e alta complexidade.

Tribuna – A gente viu, sobretudo, durante a pandemia, um apaziguamento entre o prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa. O senhor pretende manter essa postura?

Bruno Reis – Eu tenho dito que serei o prefeito de toda a cidade, e sempre colocarei os interesses da cidade acima de qualquer interesse partidário-político-eleitoral. Tenho um conjunto de projeto, ações, iniciativas e irei procurar tanto o governo do estado quanto o governo federal para apresentar e pedir apoio. É um direito da cidade. Porém, hoje Salvador não fica dependendo do governo A, B, C ou D para resolver os próprios problemas ou tirar projetos do papel. Salvador hoje avança com as próprias pernas, tem autonomia e independência e a população não quer o prefeito seja subserviente a quem quer que seja. Terei a melhor relação institucional com os demais entes da federação, e saberei, porque não tenho amarras políticas, construir as pontes para fazer uma cidade melhor.

Tribuna – Quais foram os principais acertos e erros no combate à pandemia? O governo e a prefeitura de Salvador trabalharam juntos durante esta crise sanitária…

Bruno Reis – Colocamos a vida em primeiro lugar. Deixamos de lado as questões políticas, nos unimos para enfrentar um adversário perigosíssimo que era coronavírus. Passada a fase crítica, chegamos à conclusão que foi uma decisão acertadíssima. Principalmente, quando comparamos a realidade de Salvador com cidades com características parecidas e próximas, a exemplo de Recife e Fortaleza. Ou mais distante como Belém e Manaus. Vejam quantas vidas nós salvamos. O resultado disso a gente verifica na aceitação popular. A avaliação é extremamente positiva das duas gestões. Os governos conseguiram trazer segurança, tranquilidade, as famílias. E vamos agora, através de um conjunto de estimulados, incentivos fiscais, sair juntos dessa crise.  Vamos seguir estimulando os setores para agora vencer as consequências da pandemia na economia da cidade.

Tribuna – O que o senhor pretende manter em termos de política educacional? E o que pretende mudar?

Bruno Reis – Vamos manter todos os projetos que estão dando certo, como Agente da Educação, Primeiro Passo, Pé na Escola. Vamos seguir melhorando na qualidade. Éramos a pior educação do Brasil e já ultrapassamos 12 capitais no IDEB, e vamos seguir avançando. Conseguimos universalizar o acesso à pré-escola. Hoje, praticamente todas as crianças de 4 e 5 anos têm sala de sala. E temos um grande desafio para o futuro que é universalizar a creche. Garantir que todas as crianças de 2 e 3 estejam na sala de aula para no máximo em seis anos, no segundo ano do ensino fundamental, alfabetizar todas as crianças. Vamos conseguir reduzindo a evasão escolar e a distorção de idade-série. Esse conjunto de ações vai permitir que a criança, ao se alfabetizar na idade certa, se desenvolva. Com isso, vamos melhorar muito a Educação em Salvador.

Tribuna – Salvador sempre teve um índice alto de desemprego. Quais os planos para melhorar essa realidade?

Bruno Reis – Salvador era a capital nacional do desemprego. Hoje, é a cidade que mais gera emprego no Nordeste, e a quinta no Brasil. Por quê? Porque teve um conjunto de ações e iniciativas do poder público, com investimentos de recursos em diversas obras, programas e projetos, que são tocados. R$ 1 bilhão de investimentos só neste momento. Só as ações da prefeitura vão gerar 15 mil empregos diretos. Por outro lado, com a melhora do ambiente de negócios, com a segurança jurídica que hoje nós temos, a simplificação do processo de abertura de empresas e de licenciamento de empreendimento, permite quem quer empreender ter as condições. A iniciativa privada tem, em nossa cidade em fase de início ou licenciamento de projetos, R$ 6 bilhões de investimento. Vão gerar mais 35 mil empregos. O poder público de mãos dadas com a classe produtiva vai gerar 50 mil empregos diretos. Com certeza, Salvador vai sair na frente pós-pandemia em relação a muitas cidades do Brasil, retomando o aquecimento da economia local.

Tribuna – Salvador é a cidade mais negra fora do continente africano, e muito desigual ainda. Na entrevista que concedeu a Tribuna, a candidata Olívia Santana disse que a Secretaria de Reparação era figurativa. O que o senhor responderia para sua adversária? Quais as suas propostas neste quesito?

Bruno Reis – Primeiro, nós fomos a primeira capital do Brasil a implantar a política de cotas para concurso e cargos públicos. Segundo, a Secretaria de Reparação desenvolveu, ao longo desses oito anos, projetos magníficos, como o Programa de Combate ao Racismo Institucional. Mais de 22 mil servidores foram capacitados. A implantação do selo da diversidade para conscientizar empresas privadas da importância do combate ao racismo, e dar condições para que seus funcionários, principalmente, negros possam ascender em cargos de destaque. Por outro lado, implantamos o observatório da discriminação racial. As comunidades quilombolas tiveram tratamento diferenciado, onde programas “Iluminando o Nosso Bairro” e “Morar Melhor” começavam por elas. Reconhecemos os terreiros e os candomblés como templos religiosos, passando a ter anistia e isenção fiscal. Realizamos os tombamentos dos mesmos. E tem um marco importantíssimo. Através de uma articulação nossa, em parceria com o presidente da Câmara, Geraldo Júnior, foi aprovado após 13 anos tramitando na Câmara, o Estatuto da Igualdade Racial. Nós vamos colocar em prática. Tem uma série de políticas buscando a equidade racial.

Tribuna – Como avalia a gestão do presidente Jair Bolsonaro? Como será o seu diálogo com a esfera federal?

Bruno Reis – Eu tenho dito que quem quer debater eleição estadual, nacional, deixa para disputar as próximas eleições. Sou candidato a prefeito, para cuidar do dia a dia da cidade, para cuidar das pessoas, para resolver os problemas que afligem a nossa realidade. Terei com o presidente Jair Bolsonaro e com o governador Rui Costa, a melhor relação possível. Vou procurá-los. Vou levar os pleitos da cidade, e espero que deixem de lado as questões políticas, ideológicas e cumpram o seu papel como presidente e governador. E acho que o farão porque ambos têm espírito público e querem cumprir o seu papel como governante.

Tribuna – O governo do presidente Jair Bolsonaro tem feito concessão de cargos. Como observa isto? É negativo ou o presidente entendeu que para governar precisa conversar com todas as forças políticas?

Bruno Reis – Ninguém governa sem o Legislativo. Vejam a nossa relação com a Câmara Municipal, respeitando a autonomia, a independência. Sempre mantivemos a melhor relação. O Poder Legislativo nunca faltou a cidade. Aprovou 100% das matérias que enviamos, aperfeiçoando, melhorando. Mas sempre prevaleceu o espírito público. Sempre esteve acima de qualquer outro interesse o interesse cidade. Aqui nós implantamos a filosofia das emendas parlamentares, onde os vereadores passaram a indicar para os seus bairros uma série de melhorias e obras. A nossa filosofia de governo fez com que construísse uma maioria na Câmara que permitiu a cidade avançar.

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