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Moraes Moreira deixou cordel sobre quarentena por coronavírus  


Publicado em: 13/04/2020 17:59
Por: Redação Bahia Municípios Por: Carolina Marasco Foto: Divulgação


Última postagem de músico no Instagram foi feita dias antes de morrer e para mostrar texto sobre o isolamento social enfrentado pela contaminação do covid-19.

O músico Moraes Moreira morreu aos 72 anos, nesta segunda-feira (13), no Rio de Janeiro. Conhecido pelas músicas marcantes da época da banda Novos Baianos e pela carreira solo, o cantor também é lembrado pelas poesias e análises sociais sobre o Brasil. A mais recente análise foi publicada no Instagram, em formato de cordel, sobre a quarentena enfrentada pelo artista no combate ao novo coronavírus.

Ao relatar o sentimento de “estar em quarentena”, Moraes Moreira postou que se dividia entre o apartamento e o escritório, ambos no bairro Gávea, na capital fluminense. O cordel, segundo a última postagem do cantor, foi escrito no dia 17 de março, dias antes da morte do músico.

A rima fala sobre a situação atual do país em relação ao novo coronavírus. Moraes Moreira escreveu no cordel que possuía medo da pandemia, mas também temia casos de injustiça social.

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo….
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo,nem.idade

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