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Lavadeira, uma profissão tradicional que resiste em Salvador


Publicado em: 17/08/2019 9:07
Por: Ascom SJDHDS | Fotos: Rúbia Lansival - Ascom SJDHDS


Elas já foram temas de músicas de sucesso, de poemas eruditos escritos pela brasileira Cora Coralina e pelo português Fernando Pessoa e durante muito tempo foram presenças assíduas nas margens de rios e lagoas. Mantendo a tradição, em Salvador, atualmente existem sete lavanderias comunitárias mantidas pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) e que atendem cerca de 90 lavadeiras profissionais, que têm em média 40 clientes cada, com frequência semanal ou quinzenal.
Segundo Aline Fontoura, coordenadora das Lavanderias, a Secretaria de Justiça Social, é responsável pela estrutura física e administrava dos equipamentos. “Sem o apoio do Governo do Estado da Bahia, através da SJDHDS, seria impossível para essas mulheres desenvolverem suas atividades. As lavanderias existem há mais de 60 anos e ainda é possível encontrar pessoas remanescentes dessa época, que investiram na educação de nível superior dos filhos através do ofício de lavadeira”. Ela também contou que as pessoas que trabalham nas lavanderias são profissionais. “Elas não são  ‘curiosas’ ou trabalhadoras ocasionais. A maioria é de profissionais e elas são arrimos de famílias. Aqui dentro pulsa a vida e a sobrevivência de muitas famílias!”, reiterou Fontoura, dizendo ainda que o Governo do Estado sempre honrou o compromisso com as lavanderias e manteve vive a tradição com a manutenção desses espaços em bairros populosos e periféricos de Salvador, gerando emprego e renda.
De mãe pra filha
D. Lindinalva Barbosa, 54 anos, é lavadeira há mais de 30 anos e trabalha na Lavanderia Julieta Calmon, no bairro da Boca do Rio, ao lado de uma irmã e da nora. “Eu nunca consegui trabalhar fora. Minha mãe foi lavadeira durante muitos anos, aqui mesmo nessa lavanderia. Eu sempre vinha com ela e ajudava um pouco. Acabei tomando gosto e hoje eu o faço com muita boa vontade e dedicação”, contou. D. Lindinalva lembra do começo quando ajudava a mãe no serviço. “Naquele tempo se usava ferro de carvão e eu entregava a roupa lavada e passada na casa das pessoas. Já carreguei muita trouxa de roupa na cabeça!”, revelou sorrindo. Com o trabalho de lavadeira, ela educou os filhos e ajudou a mãe, hoje aposentada. “Foi uma luta pra chegar onde estou. Hoje meus filhos estão criados, mas continuo aqui fazendo o que gosto. Aqui temos a estrutura pra trabalhar, uma tabela com valores de serviços e os clientes, em sua maioria, trazem as roupas aqui”.
Na Lavanderia Julieta Calmon, as lavadeiras formaram uma rede de solidariedade feminina, proteção e muito trabalho. Uma ajuda a outra, segundo D. Lindinalva. “Eu ainda vou buscar roupas na casa de alguns clientes. Isso é bom pois as pessoas nas ruas veem nosso trabalho e nos procuram com mais serviço. Quando eu não dou conta do serviço, as meninas me ajudam, eu também as ajudo. Aqui corre tudo bem!”, contou a mais antiga das lavadeiras. “Aqui nos ajudamos muito e a outras pessoas também. Juntamos as garrafas pets pra uma senhora do bairro, que recicla, e quando recebemos roupas de doação, elas vão para as pessoas que precisam. Assim fazemos nosso trabalho e exercitando a solidariedade”.

As Lavanderias Comunitárias mantidas pela SJDHDS funcionam de segunda à sábado, das 8 às 17h. Estão localizadas no Dique do Tororó, Engenho Velho de Brotas, Engenho Velho da Federação, Alto das Pombas, Boca do Rio e Lobato e atendem cerca de 200 lavadeiras profissionais autônomas.

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