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“Brasil na pandemia está sendo um péssimo exemplo”, alerta Drauzio Varella


Publicado em: 09/09/2020 10:06
Por: Victor Rosa Portal a Tarde Foto: Divul


Após sete meses de pandemia no Brasil, as flexibilizações por gestores públicos avançam no sentido de afrouxar as medidas mais drásticas de isolamento social. Em agosto, a quantidade de óbitos pela Covid-19 no país foi 12% menor que a do mês anterior. Segundo o médico oncologista, escritor e cientista Drauzio Varella, apesar da queda, ainda não dá para saber quais serão as consequências da flexibilização das medidas de isolamento no país.

Para Drauzio, o Brasil passa por características específicas durante a pandemia, que difere das atitudes adotadas pela maioria dos países no mundo.

“Temos que aprender porque a pandemia brasileira tem características muito especiais, diferente dos outros países. Quando você analisa os países europeus existe um pico e depois uma queda rápida no número de casos e aqui nós chegamos no pico e estabelecemos um platô”, explica Drauzio Varella.

“O Brasil na pandemia está sendo um péssimo exemplo. O que o Brasil fez, raríssimos países no mundo fizeram”, completa o médico, em entrevista na manhã desta quarta-feira, 9, para o ‘Isso é Bahia’, na rádio A TARDE FM.

Segunda onda

Drauzio não descarta a possibilidade de uma segunda onda de transmissão no Brasil, mesmo depois da queda do número de contaminação e de mortes registradas em agosto.

“Temos cenas que mostram a população se aglomerando, muita gente sem usar máscara. Nós não sabemos quais serão as consequências dessa quebra tão radical do isolamento. Estamos sujeitos a uma outra onda de contaminação”, pontua.

Bahia como exemplo

A falta de coordenação nacional no enfrentamento da Covid-19 no país é apontado por Drauzio como um dos principais motivos do Brasil não conseguir avançar na recuperação da pandemia.

Conforme o cientista, é necessário que existe uma uniformidade na tomada de decisões para conseguir mobilizar a população.

“Você tem um lugar que diz que tem que ter isolamento, outro lugar que diz que tem que usar máscara e outro lugar que diz que não precisa usar máscara. É preciso reagir de um jeito uniforme para não haver contradições e aqui essas contradições se estabeleceram logo de cara”, diz.

Com isso, Drauzio parabenizou a união do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), com o governador do Estado, Rui Costa (PT), no combate ao vírus.

“Nesta questão de coordenação a Bahia deu um exemplo muito interessante que foi o prefeito de Salvador e o governador, pertecentes a partidos diferentes, diria até que rivais, que se uniram e a mensagem foi clara e única para toda população”, explica o cientista.

Que questiona: “Você imagina se tivesse o prefeito de Salvador dizendo que ninguém precisa usar máscara, que pode sair a vontade, e o governador dizendo o contrário, qual seria o reflexo na população?”.

Criado na China?

Quando questionado, durante entrevista no ‘Isso é Bahia’, sobre a possibilidade do vírus da Covid-19 ter sido criado na China, principalmente após o Produto Interno Bruto (PIB) chinês crescer 3,2% no último trimestre, Drauzio alegou ser uma possibilidade impossível em qualquer lugar no mundo.

No motivo da impossibilidade do vírus ter sido criado seria a não existência de uma tecnologia capaz de produzir um vírus tão complexo.

“É uma invenção sem fundamento. Por que sem fundamento? Porque nós temos tecnologias avançadíssimas hoje, mas não temos tecnologia no mundo para construir em laboratório um vírus com essas características. Nem os brasileiros, nem os chineses, nem os japoneses, nem os americanos. Ninguém tem esta tecnologia”, salienta.

Drauzio explica que todas as características do vírus pertencem a uma família, o coronavírus, que provoca quadros respiratórios. Além disso, o surgimento do vírus pode ter vindo através do contato com animais, a partir daí o vírus sofre uma mutação e passa a se adaptar a espécie humana.

Vacina não obrigatória

Nesta terça-feira, 8, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender a não obrigatoriedade da vacina contra o novo coronavírus no Brasil, quando estiver disponível.

A declaração foi feita durante uma reunião com médicos defensores do uso da hidroxicloroquina no tratamento precoce do novo coronavírus, mesmo não existindo comprovação científica da eficácia do medicamento no tratamento da doença.

“A gente não pode injetar qualquer coisa nas pessoas e muito menos obrigar. Eu falei, inclusive, que ninguém vai ser obrigado a tomar vacina, e o mundo caiu na minha cabeça. A vacina é uma coisa que, no meu entender, você faz a campanha e busca uma solução. Você não pode amarrar o cara e dar a vacina nele. Eu acho que não pode ser assim”, afirmou o presidente durante a reunião.

Sobre o caso, Drauzio Varella comentou que realmente ninguém é obrigado a tomar uma vacina. “Você nunca viu ninguém sendo levado de camisa de força para se vacinar”, comenta.

Contudo, o médico explana que seria importante uma mudança do discurso do presidente, como focar na importância da vacina em vez da não obrigatoriedade.

“Agora na hora que começa a esperança de uma vacina, tem que promovê-la, afinal vai ser a única forma da gente sair deste estado de pandemia. Nós não podemos obrigar ninguém a se vacinar, não precisa dizer isso. É só destacar a necessidade do uso da vacina”, frisou.

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