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Bahia registra queda na cobertura vacinal básica


Publicado em: 09/09/2020 9:59
Por: Bruno Brito* Ag. A TARDE Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE


O estado da Bahia seguiu a tendência nacional e registrou, ao longo dos últimos 10 anos, uma queda na cobertura vacinal do calendário básico, da criança menor de 1 ano de idade. Em alguns casos, como a da vacina BCG, que protege contra a tuberculose, o percentual de crianças vacinadas até agosto deste ano é de 44,3%, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). O número é 46 pontos percentuais menor que a meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do governo federal, que é de 90% a 95% de cobertura. Entre as nove vacinas indicadas para os bebês, a BCG tem o menor índice de vacinação na Bahia.

De acordo com a coordenadora estadual de Imunizações (Divep/Sesab), Vânia Rebouças, diversos motivos contribuíram para a queda nas coberturas vacinais, a exemplo de falsas notícias relacionadas à vacinação, bem como a restrição do horário de funcionamento das salas de imunização, que podem não favorecer aquelas crianças que precisam de acompanhantes, pois coincide com o horário de trabalho de pais e responsáveis.

“Dentre as justificativas enumeradas, existe relação com o crescimento do movimento antivacina, dentre outros. Muitos acreditam que não será necessário vacinar contra o sarampo, por exemplo. Já estamos vendo casos de sarampo em diversos estados”, diz.

Até agosto deste ano, de acordo com a Sesab, a vacina contra o rotavírus havia alcançado apenas 46% das crianças, bem como a vacina contra a hepatite A, em todo o estado. Já a pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria Haemophilus influenza tipo B, além da vacina contra a febre amarela, registraram apenas 45% de cobertura cada. A vacina contra a poliomielite e a meningocócica C alcançaram, respectivamente, 47% e 49%. Com índice acima dos 50% estão a vacina pneumocócica 10V, com 51% de cobertura, e a tríplice viral, que alcançou a melhor cobertura no estado, até o mês passado, com 54%.

Segundo a coordenadora, a queda na cobertura vacinal pode resultar no retorno de doenças já controladas e erradicadas. “Podemos ter bolsões suscetíveis, que significa um grande número de pessoas desprotegidas que, expostas ao agente infeccioso, vão adoecer devido a uma situação que podemos evitar”.

Isolamento social

Neste ano, em meio à pandemia, a procura pela vacinação, que já vinha em queda, ficou mais baixa. Para Vânia, a pandemia fez com que as pessoas ficassem em casa e muitos responsáveis não levaram crianças para se vacinar. “Muitos pais avaliaram os riscos de sair. Daí, temos dificuldade em fazer com que essas crianças compareçam regularmente nas unidades de saúde para tomar as vacinas. Isso porque a família considera que o risco de estar na unidade é maior que tomar a vacina naquele momento, Só que a vacina é extremamente importante e é um recurso que temos em mãos”, afirmou.

Se comparada à cobertura vacinal em todo o estado entre os anos de 2009 e 2019, as principais quedas registradas estão na vacinação contra a febre amarela, que saiu de 100% de cobertura para 64%, registrando uma queda de 36% de cobertura. No caso da BCG, a queda na cobertura foi de 31% entre em 2009 e 2019.

Já a vacina contra a poliomielite teve sua cobertura reduzida em 29%, ficando em 73%.

Outra vacina que teve grande redução foi a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, que registrou uma queda de 26%. Essa redução se repetiu também no caso de outras vacinas, a exemplo da que imuniza contra o rotavírus, que teve queda de 6%, chegando em 2019 a 73%.

O cenário é o mesmo no caso da vacina pentavalente, que teve um índice de cobertura de 65%, número 30% menor que a meta imposta pelo governo federal. Outra vacina abaixo do índice recomendado é a meningocócica C, que conta com 76% de cobertura, índice 19% menor que o estipulado. O mesmo acontece com a pneumocócica 10V, com 77% de cobertura, e com a vacina contra a hepatite A, com 73% de cobertura.

De acordo com a coordenadora, um dos possíveis caminhos para reverter esse cenário é levar a vacinação para fora das unidade de saúde, alcançando ambientes externos, como as creches, por exemplo. Vânia destacou, ainda, a importância da vacinação nas crianças com menos de 1 ano.

“A criança menor de ano já começa a desenvolver proteção contra agentes aos quais está exposta. Se estão vacinadas, quando elas tiverem contato com os agentes infecciosos, estarão protegidas”, ressaltou.

*Sob a supervisão da jornalista Rita Conrado

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