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‘Arpilleras bordando a resistência’


Publicado em: 14/03/2020 19:57
Por: Isana Pontes/especial para o Bahia Municípios e o blog @FORADAROTAPORISANA | Fotos: Divulgação


Bordar para denunciar o desrespeito aos direitos femininos. Até o dia 22 de março, os expressivos bordados costurados por mulheres brasileiras atingidas pela construção de barragens e de hidrelétricas podem ser conferidos na exposição “Arpilleras: Bordando a Resistência”, com acesso gratuito, no Museu de Arte da Bahia”, no Centro de Salvador. Fazem parte da mostra: telas com bordados, a exibição de um documentário financiado por projetos de captação, além de diálogos e oficinas direcionados para os visitantes.

As Arpilleras representam um movimento de mulheres que bordavam seus dramas, identidades e esperanças, criado no Chile, durante a ditadura do ex-presidente Augusto Pinochet. A ideia chegou ao Brasil em 2013 e acabou inspirando outras mulheres, se transformando em uma ferramenta de educação popular e auto-organização feminista, dentro das regiões afetadas pela construção de barragens, de Norte a Sul do Brasil. De lá pra cá, já foram confeccionadas dezenas peças, que envolveram centenas de atingidas. A exposição já correu diversos estados brasileiros. Ocupou espaços como o Memorial da América Latina, em SP, além de outros. Os trabalhos foram selecionados por uma cuidadosa curadoria do Coletivo de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

“Resgatamos essa ferramenta feminista latinoamericana, criada por lutadoras chilenas, para trabalhar dentro das áreas atingidas por barragens. Desde 2013, realizamos diversas oficinas, que diagnosticaram violações dos direitos humanos, sofridas pelas mulheres. Os bordados também se colocaram como combustível de emancipação e organização”, explicou Daiane Hohn, uma das integrantes do Coletivo MAB.

Segundo Carla Galvão, uma das integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens, “os problemas econômicos afetam primeiro a casa: a conta de água, de energia, a escola dos filhos. A primeira a ser afetada é a dona da casa”.

As Arpilleras: um movimento de mulheres bordadeiras criado no Chile, durante a ditadura Pinochet.

UMA ARMA PODEROSA – A partir de então, o que sempre era visto como ferramenta do lar (toalhinhas, quadros e panos de prato bordados) se transformou numa arma poderosa de muitas mulheres de diversos cantos do Brasil. Gente não se conhecia, mas que acabou se aproximando ao perceber que as histórias semelhantes se repetem na construção das hidrelétricas e barragens, onde quer que elas sejam instaladas.“O rio se torna uma coisa privada. Enquanto eles lucram, elas perdem o acesso ao peixe, à lenha, à energia e a tudo o que tinha a ver com o lugar no qual elas moravam, mas que foi redelimitado pela obra”, explica Esther Vidal, uma das gestoras do projeto “Arpilleras: Bordando a Resistência”.   Esther relata, ainda, o aumento da violência contra os moradores do lugar, especialmente contra as crianças, os estudantes e as mulheres. Os registro de assédios e estupros disparam. “Em Porto Belo, a partir das obras, em três anos, o número de estupros aumentou em 200 por cento”, informa, apenas citando um dos muitos exemplos registrados nessas regiões de construção de barragens e hidrelétricas.

SERVIÇO

12 a 22 de março, às 15h — Exposição “Arpilleras: Bordando a Resistência.

13 de março, às 17h30 — Filme “Arpilleras: Atingidas por barragens bordando a resistência”.

17 e 19 de março, às 14h — Oficina de bordados.

Local: Museu de Arte da Bahia (Av. Sete de Setembro, 2340 — Corredor da Vitória, Salvador — BA, 40080–004)

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