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Produtores do Oeste baiano investem R$ 11 bi na preservação ambiental


Publicado em: 05/06/2018 8:38
Por: Correio


Os produtores da região Oeste da Bahia – maior polo de agrinegócio do Nordeste – já investiram um total de R$ 11 bilhões em áreas de proteção e reserva ambiental, de acordo com um estudo apresentado pela Embrapa em 27 de maio, durante o fórum “O Papel do Produtor na Conservação do Cerrado”, realizado no auditório da Fundação Bahia, em Luís Eduardo Magalhães (BA). O evento serviu como uma prévia do Bahia Farm Show 2018, que tem início nesta terça-feira (5) e desfaz o mito de que o agronegócio como um todo é um setor inimigo do meio ambiente

O estudo, apresentado pelo chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Miranda, além do mapeamento por satélite de todas as propriedades, utilizou dados do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural, do Ministério do Meio Ambiente. O resultado demonstrou que o Oeste Baiano conserva 53% do seu bioma natural, alcançando um total de 4,2 milhões de hectares preservados. Deste número, 35% estão nas propriedades agrícolas, o maior percentual de todo o País e um dos maiores do mundo.

“Não tem ninguém que investe mais na conservação ambiental, e estamos falando apenas em terra imobilizada, sem contarmos outras práticas, como o uso racional da água e o manejo de solos”, destaca Miranda. Segundo o estudo, caso as terras preservadas estivessem em produção, elas gerariam um patrimônio líquido da ordem de R$ 27 bilhões.

Embrapa apresenta estudo a produtores rurais da região Oeste da Bahia (foto: divulgação)

Além do dirigente da Embrapa, o Fórum contou com a participação dos professores Fernando Pruski e José Rui de Castro, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que participam, juntamente com pesquisadores da Universidade de Nebraska (Estados Unidos) e universidades baianas, de um estudo contratado pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), cujo foco é o potencial hídrico do Cerrado baiano. O objetivo é definir com precisão o volume de água dos rios e do Aquífero de Urucuia, para que seja dimensionada a sua utilização de forma sustentada.

Crítica

Ao enfatizar os números apontados pelo estudo, Evaristo de Miranda criticou o que considera “hipóteses inverificáveis” relacionadas com afirmações “sem qualquer confirmação científica” que, segundo ele, procuram criar a imagem de que a produção agrícola ameaça a conservação do Cerrado.

Na sua opinião, “estão trazendo para o Cerrado um discurso da Amazônia”, sem que seja levada em consideração as diferenças desses biomas e, sobretudo, as culturas e tecnologias desenvolvidas pelos produtores.

Desmatamento

Nos últimos anos, contudo, o setor agropecuário e o poder público foram confrontados com uma série de críticas de organizações não governamentais, como a Associação de Promoção do Desenvolvimento Solidário e Sustentável – 10envolvimento, sediada em Barreiras (BA), que denunciaram desmatamentos na região.

Em carta endereçada a então ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira (que deixou a pasta em 2016), a 10envolvimento citou que somente entre os meses de janeiro e junho de 2015, o Inema – órgão licenciador do Estado da Bahia – autorizou – por meio de 45 processos – a supressão de 76.242 hectares de vegetação nativa no Cerrado do oeste baiano. À época, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente alegou falta de respaldo legal para reprovar os pleitos por supressão de cobertura vegetal e captação de água.

Florestas

A sustentabilidade do setor florestal também estará em debate na Bahia Farm Show 2018. Na quarta-feira (6/6), o diretor-executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf), Wilson Andrade, ministrará a palestra “Florestas plantadas: investimento sustentável”, a partir das 9h, no Auditório Pavilhão Coberto – Sala 2.

De acordo com Andrade, existem, no Oeste da Bahia, importantes projetos na área de energia, secagem de grãos e serrarias com uso múltiplo, “e espera-se o forte desenvolvimento de produção de energia a partir da biomassa do eucalipto de maneira a atender à crescente demanda da região, com produção local, a exemplo do que é realizado em outras regiões”, diz.

O estado possui 730,5 mil hectares de florestas certificadas (entre áreas de produção e remanescentes nativos) voluntariamente pelas empresas por meio dos sistemas FSC e/ou Cerflor.

Programação

Para os interessados em se aprofundar na produção sustentável realizada pelos agricultores baianos, a Bahia Farm Show 2018 ainda traz na sua programação, na sexta-feira (8/6), a palestra com os pesquisadores da UFV, Fernando Pruski e José Rui de Castro, que vão trazer os últimos levantamentos do Estudo do Potencial Hídrico do Oeste da Bahia.

Na quinta-feira (7/6), Marcos Preussler, da Fockink Indústrias Elétricas, ministrará palestra sobre energia solar fotovoltaica em fazendas, a partir das 14h, no Auditório Fundação Bahia. Um dia antes, às 16h, Izabella Dantas e André Weber, da SunHybrid do Brasil, abordarão o tema “Energia solar, economia e competitividade para o agronegócio”, no Auditório Pavilhão Coberto Sala 1.

A grade completa da programação oficial de palestras e debates da Bahia Farm Show 2018 pode ser acessada no site: http://www.bahiafarmshow.com.br/programacao/.

Conheça quatro iniciativas sustentáveis adotadas pelos produtores do Cerrado baiano:

1) Recuperação de Pastagens Degradadas – áreas que serão reintegradas ao processo de produção de alimentos por meio de práticas que recuperam a capacidade produtiva do solo degradado, evitando a abertura de novas áreas e trazendo economia para o bolso do produtor.

2) Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – na mesma área em que a floresta é plantada é possível ter pastagens e lavouras, essa integração favorece o controle de pragas e a mitigação de carbono, traz maior renda ao homem do campo e adequação à legislação ambiental.

3) A tecnologia de Florestas Plantadas consiste no plantio de árvores comerciais de rápido crescimento e alta capacidade de fixação de carbono. Tornam-se mais uma alternativa de renda ao produtor rural e podem ser direcionadas tanto à indústria moveleira quanto a produção de energia e celulose.

4) Já no Sistema Plantio Direto, a palhada após a colheita protege o solo do sol e da chuva, o que evita o surgimento de erosões. Economia e sustentabilidade com a fixação do carbono no solo.

SERVIÇO:

Bahia Farm Show 2018

Data: 5 de junho a 9 de junho

Local: Complexo Bahia Farm Show: BA 020/242, km 535 – Luís Eduardo Magalhães

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