22 de março de 2019 às 17:50
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Helô Sampaio


Publicado em: 03/03/2019 8:37
Por:


Estou deslumbrada, encantada, me sentindo a própria ‘descobridora’ da Bahia. Fico pensando como é que eu passei tanto tempo sem revisitar estes lugares maravilhosos.

Explico: resolvi ir visitar a minha querida família aqui no interior, arrumei as bagagens e parti, com Ana, minha irmã, para Itabuna.

Como o amigo Zé Braitt ia dirigindo, já fui a estrada toda apreciando a bela paisagem que as nossas estradas oferecem com uma intensa variedade do verde nas nossas matas, as vastas planícies, as imponentes e centenárias arvores da mata atlântica, enfim, tudo de belo que os nossos olhos podem registrar.

Meus irmãos, Lula e Carmen, estavam veraneando na casa que Lula tem na Ponta da Tulha e que é um pedaço de paraíso na estrada Ilhéus – Itacaré.

Gente, sabe o que é estar em casa em frente a uma praiona linda, ainda com estrelas do mar, sirizinhos correndo na areia que também tem búzios, coqueiros por todo lado, um sol brilhando embelezando um mar azul com uma temperatura que Calazans Neto chamaria de ‘intra-uterina’?

Aquela água tépida, como se estivesse nos acarinhando nosso corpo?

Eu me sentia a própria sereia, e ficava o tempo todo de dentro d’água. Estou parecendo um camarão aferventado e tive que me encher de cremes para não descascar que nem banana madura. Nem parece que eu moro próximo ao mar em Salvador.

Não satisfeita em me ‘torrar’ na Ponta da Tulha, vim esfriar o corpo em Itabuna quando Julinha Araújo, a minha amiga-irmã, chegou e, para ‘arrematar o vermelhão’, me levou para a casa que ela tem na praia de Jairi, próxima a Olivença, já na estrada para Canavieiras. Eu guento?

Cheguei e fiquei pensando que já fazia 30 anos que eu e Júlia estivemos em Canavieiras, Canes para os íntimos. Júlia é como minha irmã, pois fizemos juntas o curso ginasial e pedagógico no Instituto Municipal de Educação de Ilhéus, onde formamos em professora (cinquenta anos prá trás, meu lindinho) e até nunca perdemos a amizade.

Aí, Julinha sugeriu fazermos uma surpresa a nossa amiga Genita Matos, que é de Itapitanga mas hoje é moradora e apaixonada por Canes. Pegamos os biquines, passamos o rímel e o batom, arrumamos as madeixas luzidias e rumamos, eu, Julinha e Inesita para Canes, que continua bela e acolhedora.

Genita foi secretária de Educação do município e nos ciceroneou toda orgulhosa, explicando em detalhes as belezas da cidade.

Quatro rios cortam o município – o Rio Pardo, o Cipó, o Salsa e o Patipe
— Genita

Interrompi o tour e pedi para conhecer logo os rios. E ela nos levou para a Ilha de Atalaia, onde tomamos um banho especial no rio Pardo, fazendo uns intervalos gastronômicos no restaurante Sabores da Ilha, com uma deliciosa variedade de frutos com um sorrisão cativante. A praia já é ponto turístico e, completo eu, seu Bado também. Ficamos a tarde toda dentro do rio, curtindo esse privilégio.

À noite, fomos com Genita e Deusa para o curtir o ‘Porto’, o ‘point’ da galera que fica na paquera sob as bênçãos de Iemanjá, que tem um monumento no meio do rio donde fica mandando os fluidos bons para a tchurma da loirésima gelada. Passamos a noite apreciando o povo bonito e cordato a se divertir. Tem coisa melhor que ‘fazer nada’ apreciando uma lua bonita numa cidade linda e acolhedora.

No outro dia fomos correr o centro histórico, ou melhor, correr toda a cidade, passar pelo monumento ao caranguejo, símbolo da cidade, ver todas as praias com a nossa cicerone explicando tudo. Almoçamos no restaurante Tijolinho (Praia da Costa) onde pedi e ‘fundei’ num gaiamum e-nor-me, com uma puã imensa, a maior que já comi na vida.

Peguei o martelinho e esqueci do mundo até deixar o bicho trucidado e a barriguinha satisfeita dentro do biquine (nesta altura já apertado, escondido pela canga).

Ah! Conheci Jane Lucia, da Lua de Cristal Artesanatos, que me arranjou uma canga cheia de tucanos, que foi o maior sucesso. Já sou bonita e gostosa, com uma canga estampadona de tucanos escondendo a barriguinha sedutora, quem resiste?

A cidade tem um prato específico que é o ‘cabeça de robalo’, que vem a ser um catado de caranguejo servido dentro do casco do próprio. Só lá a gente encontra este forma de comer o caranguejo. Trouxe para minha irmã Ana conhecer. E já avisei a Genita que ela se prepare que eu serei hóspede frequente dela. A cidade me merece. É encantadora que nem eu. Tô mesmo apaixonada por Canes.

Mas não fique aí lambendo os beiços, meu amorzinho, que eu pedi e Genita conseguiu com sua amiga Lia Pinto, a receita do cabeça de robalo.

Aventais a postos para prepararmos esta delícia.

Cabeça de robalo de Canes

Ingredientes (para 20 unidades):
— 20 caranguejos
— 1k de catado de caranguejo
— 1 maço de coentro
— 5 tomates médios
— 3 cebolas médias
— 1 maço de coentro maranhão
— 1 maço de cebolinha verde
— 5 pimentas de cheiro
— 500ml de azeite de dendê
— Leite de três cocos grandes
— 2 limões taiti.

Modo de preparar:

— Limpar bem os caranguejos, higienizar as ‘carapaças’ e catar as puãs, colocando tudo numa panela grande com o catado e parte de todos os temperos já picados;

— encher todas as carapaças com o recheio e adicionar os peitos do caranguejo que serviram como tampa;

— colocar todas as unidades em uma panela grande e adicionar a outra metade dos temperos, mais o azeite de dendê, o leite de coco e a água dos limões;

— deixar no fogo por 25 minutos, até que o caldo fique consistente.

Servir com pirão ou arroz, agradecendo o privilégio de poder apreciar estas delícias.

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