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Meire de Ziel: de criança pobre a presidente da Câmara de Vereadores de Esplanada/BA


Publicado em: 12/01/2019 11:04
Por: Dilton Santiago / Fotos: Bahia municípios e Facebook (Divulgação)


Rosemary dos Santos, popularmente conhecida como Meire de Ziel (por conta do nome do seu marido Ziel), aluna de escola pública,  formou-se em magistério em 1990, no colégio ACM, em Esplanada. No ano seguinte, já lecionava no município. É pós-graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Ouro Preto, especializando-se em Meio Ambiente e Escolas Sustentáveis.

Meire de  Ziel, foi reeleita vereadora do município de Esplanada pelo PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), com 415 votos. A equipe do Bahia Municípios, foi recebida pela vereadora que nos contou um pouco da sua trajetória política, da sua infância pobre, fase que considera o “período mais agudo de sua vida”. Em alguns momentos da entrevista, ela,  bastante emocionada, disse : “Agora começou a cair a ficha, a responsabilidade aumentou, aumentou e muito! “ Como se não bastasse o peso de ser a única representante do sexo feminino na Câmara de Vereadores de Esplanada,  desde o primeiro dia do ano lidera a Mesa Diretora da Câmara,  sendo a responsável pela direção dos trabalhos legislativos e administrativos da casa.

Para os que não acreditavam que pudesse chegar tão longe, a vereadora manda um recado: “Não medirei esforços para  tornar nosso município menos desigual, criando oportunidades para todos –  principalmente   para a população que vive na zona rural, tão carente do “olhar diferenciado” do poder público.

Para o início do ano legislativo, a vereadora destaca dois Projetos:
A perfuração de poços artesianos nas comunidades carentes e a construção da Praça São José,  no bairro do Timbó,  onde ela cresceu e conhece melhor que ninguém as carências e desigualdades  vivenciadas pelo povo humilde, que ela mesma define como resilientes, “no enfrentamento das  adversidades,  eles podem até balançar, mas, não se curvam ”, conclui.

Bahia Municípios – Quando a senhora sentiu que tinha veia política? E quando percebeu que poderia fazer mais pela cidade e pelo população mais necessitada?

Minha infância foi como a da maioria dos brasileiros, pobre. Nasci em Altamira, hoje município de Conde, numa fazenda às margens do Rio Itapicuru. Meu pai era um trabalhador do campo,  que ia mensalmente à  sede do município e  nessa ocasião  a gente desfrutava de algo melhor para comer. Meu café da manhã era carne assada no fogão a lenha com farinha seca. Conheci a escola aos seis anos, quando nos mudamos para Esplanada, onde residia minha avó e meu pai conseguiu comprar uma casa no Timbó . A dificuldade era muito grande,  sou a terceira filha de oito irmãos.  Aqui em Esplanada resolvi  minha vida,  cursei  Magistério, depois faculdade, fazendo Pedagogia. Sou professora  e me orgulho muito disso. Sou pós-graduada, com especialização  em Meio Ambiente e Escolas Sustentáveis . É uma profissão que exerço de coração, e digo aos meu alunos:  sou professora; educadores são seus pais. – Eu sou professora!

Meire de Ziel – Como é ser mãe, esposa, professora, e agora presidente e líder de uma Câmara de Vereadores?

Quando a gente quer e gosta do que faz,  parece que o dia se torna mais longo e assim conseguimos adequar  os horários. Trabalho 40 horas semanais na escola e nunca abandonei meu trabalho na política, nem minha família, cuidei dos meus três filhos, tenho três noras e três netos, cuido do meu marido, e ainda dou o carinho que meus cães e gatos precisam.

Tem que ter espaço também para a ansiedade de lidar com o momento de ser uma mulher a comandar a maioria na Câmara e presidir a Casa Legislativa, como está sendo a expectativa?

Agora começa a cair a ficha e estou mais tranquila. Na legislação passada,  sofremos um desgaste muito grande para chegar aonde estamos. Foi uma luta muito acirrada. Nosso grupo é humilde, porém muito unido. Fomos nos apoiando um no outro e o grupo dos sete – como nosso grupo é conhecido –, conseguiu transpor todas as barreiras. Não somos vereadores de “gabinete”, somos os representantes do dia-a-dia do povo, contrapondo uma parte da população que se acha elite, e afirmava que não seríamos capazes de gerir a Câmara de um município com quase 40 mil habitantes.  O que nos mantém ainda mais unido é  a resposta  dada pelo próprio povo,  que acredita em nossa capacidade de fazer o melhor por essa cidade.

Como foi sua trajetória até chegar  à presidência da câmara?

Eu saí candidata a vereadora pela primeira vez em 2008, atendendo a um pedido do meu marido. Meu marido era analfabeto, não sabia nem fazer o nome, mas nem por isso eu sentia vergonha dele, então, foi o sonho dele que eu realizei, pois eu não me via na condição que ele me enxergava. Disputei e perdi a eleição naquele ano. Em 2012,  me lancei no mesmo desafio e o povo  me elegeu com 356 votos. Ganhei a eleição com a cara e a coragem, pois a gente não tinha nem um carro. Percorríamos a cidade em uma bicicleta emprestada, e agora passamos pela reeleição,  que foi  uma disputa ainda mais dura,  porque concorria com quase 200 candidatos para 13 vagas.   Política com dinheiro já é difícil, imagina sem apoio financeiro! Na primeira legislatura não consegui juntar dinheiro, foi tudo investido na comunidade que me apoiou, de legado pessoal, ficou apenas um velho  Gol, que não troco por dinheiro nenhum, ele é o símbolo da minha vitória. E nessa nova legislatura surgiu a oportunidade de ser a presidente da Mesa Diretora, convidada por um colega a quem pedi um tempo para pensar; como sempre, aceitei os desafios que a vida me impôs, o grupo se uniu em torno de meu nome, chegamos a um consenso e aqui estou para trabalhar pelo povo e mostrar que Esplanada pode sim ter uma mulher na presidência do legislativo municipal. Por isso rogo a Deus para chegarmos em 2020,  juntos, unidos pelo único propósito –  construir leis para melhorar a vida de nosso povo. Queremos ajudar o prefeito, pois vemos que a situação do município de Esplanada não está boa, em todas as áreas, vem deixando a desejar, mesmo porque  não podemos olhar só para nosso umbigo, temos que enxergar todo o entorno. Salientamos que cinco vereadores são da base:  Zé da Praia, Joselito,  Gisélio, André e Dr. Lucas, somente eu e Alexandre, viemos de um outro grupo, e essa parceria bem-sucedida originou o G-7. Mas a minha relação com Franco ( atual prefeito), independe da política,  fizemos o colegial juntos. Eu e o companheiro Alexandre viemos  para somar no grupo dele.

Em sua opinião o que pode ser feito para que a população participe mais dos debates?

Olha, em minha opinião, a transmissão das sessões ao vivo tem um aspecto positivo e outro negativo, porque o povo se acomodou e a opinião popular que é um fator preponderante nos debates, deixa de ser exercida.  Umprojeto que penso em implementar durante nossa gestão é o da “Sessão Itinerante” – tema que  já foi debatido inúmeras vezes, mas faltou vontade política para executá-lo. Há pessoas que vivem em localidades que têm assentamentos que nunca ouviram falar em uma sessão legislativa, e se formos debater um projeto direcionado à melhoria de vida das pessoas que vivem em assentamentos, porque não levar o parlamento até essas pessoas, para que elas participem?

Se o vereador Zé da Praia, propõe uma emenda que diz respeito aos moradores da região da praia, porque não realizar essa sessão naquela comunidade? Fazer audiências públicas aqui é difícil, não aparece ninguém. A população precisa se envolver mais com o trabalho das pessoas que ela escolheu para representá-la.

Quais as mudanças que a senhora pretende implementar em sua gestão?

Primeiramente tentar mudar alguns artigos do regimento interno. Precisamos reformar o regimento, retirar do seu conteúdo algumas brechas que favoreçam a ilicitude, há pontos de divergência com a Lei Orgânica, é um documento  mais voltado para o funcionamento administrativo da Câmara.  Outro ponto que merece atenção é o  espaço alugado pela gestão anterior que não é adequado para uma Câmara de Vereadores. O imóvel    não permite,  por exemplo, que meu irmão e muitos outros cadeirantes possam assistir às sessões porque não há rampa de acesso e são muitos degraus de escada até o plenário.  Um grave desrespeito à Lei de Acessibilidade. A vontade do nosso grupo é  modernizar, de trazer inovação para essa casa.

Qual seria a marca de sua gestão, que lei a senhora gostaria de ver aprovada, que ficasse como legado da gestão Meire de Ziel?

O povo às vezes confunde o papel do vereador. Vereador não executa, ele formula as leis, é o solicitante. Gostaria muito de ajudar o Executivo na formalização de parcerias que contemplasse principalmente a zona rural, que por ser geograficamente afastada da sede, são localidades de difícil acesso onde vive uma grande parcela da população  que enfrentam as mais diversas necessidades.  Gostaria muito de contribuir com a região de São José, na implantação de rede de água potável e saneamento básico. Imagine que nessa região um garrafão de água de 18 litros custa dezoito reais. Eu já falei dessa situação com o prefeito e gostaria de ver esse pleito concretizado, é obrigação do poder público fornecer as mínimas condições de vida para seu povo. Fiz meu papel como vereadora, ele é o mandatário do município, espero que atenda a minha solicitação. Afinal,  água para beber é uma das principais necessidade do ser humano. Outro desafio da gestão é  a construção da  Praça Santo Antonio,  no bairro Timbó. Uma praça de lazer,  com equipamentos para as crianças brincarem, e estimulasse a pratica de esportes, eu e meu grupo trabalharemos para concretizar. Eu trouxe uma coisa tão necessária para a rua em que eu moro, uma UBS (Unidade Básica de Saúde), uma emenda parlamentar proferida pelo então deputado federal Acelino Popó  que o prefeito da  época executou, mas omitiu completamente nossa iniciativa.  Foi um legado meu como vereadora,  que a gestão passada não reconheceu.

Como professora o que acha da educação do município?

Não está como desejamos, mas não atribuo a falha apenas ao gestor, os pais são pilares importantes para que haja uma educação de qualidade, e isso envolve o acompanhamento dentro e fora da sala de aula, terminando no plenário da Câmara, A educação em Esplanada não é das piores,  mas quando professores e a comunidade se unem os resultados positivos aparecem. Tenho certeza que vamos avançar mais nessa área.

Apesar das dificuldades por que passa a maioria dos municípios baianos, Esplanada vem atraindo muitos visitantes a cada temporada de Verão, em sua opinião o que pode ser feito para alavancar de vez o turismo no município?

“O Poder Executivo precisa lançar um programa de desenvolvimento do turismo em todo o município. Muita gente pensa que Esplanada é só a região de Baixio, então é preciso melhorar a rede hoteleira,  renovando ou restaurando os equipamentos que já temos e principalmente  qualificando os trabalhadores da área para receber melhor os visitantes. O empresariado precisa entender que investimento em turismo tem retorno garantido. Por exemplo, temos a bica, uma bela nascente de água cristalina que bem-cuidada seria o cahamariz para um excelente balneário, mas  o empreendedor local tem receio de investir porque não vê o posicionamento da prefeitura. Nossso Cristo (maior monumento religioso do estado, uma obra com 29 metros de altura,  a melhor atrção turística religiosa do município, confeccionado em partes, no atelier do artista plástico, Félix Sampaio), está de braços abertos esperando por requalificação”. Finalizou.

Meire de Ziel: “não mediremos esforços para melhorar a vida do nosso povo”.

Vereador Zelito Pimenta.

“Muita gente pensa que o G7 surgiu para fazer oposição ao governo e política vazia, na verdade fomos eleitos para fiscalizar o Poder Executivo, alinhado com os anseios da população, nossa missão é criar leis que permitam por exemplo a geração de emprego e renda, auxiliar na criação de escolas técnicas e captação de indústrias para o desenvolvimento do município. Eu acompanho esse grupo há mais de vinte anos e acho que o prefeito deveria aproveitar a maioria que tem na Câmara para trazer obras estruturantes que melhorem a vida da população.  Ele precisa mostrar a cara da sua administração e fazer merecer a confiança daqueles que lhe outorgaram o voto”.

Joselito da Silva Pimenta– Zelito Pimenta. Vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Esplanada pelo PPS (Partido Popular Socialista).

Vereador Zé da Praia.

“Não foi fácil construir essa presidência, foi um desafio de pura turbulência, e o que temos a dizer ao povo de Esplanada é que estamos aqui para fazer uma gestão responsável. Há seis anos a população era desassistida, uma parcela da população carente sofria muito. Hoje, o município dispõe de cinco ambulâncias para conduzir seus doentes até Salvador para atendimento médico especializado. Confio muito nas pessoas desse grupo, principalmente na presidente Meire e o nosso vice, Pimenta. Espero que Deus nos ajude nessa nova empreitada e que nos dê forças para auxiliar o prefeito na condução do município,  colocando Esplanada no lugar de destaque que ela merece”.

Jose Roberto Machado Soares – Zé da Praia. Vereador eleito de Esplanada pelo SD (Solidariedade).

Vereador Giselio.

“A situação politica e administrativa do nosso município de Esplanada não está nada fácil. O prefeito tem que abrir a mente e dizer que quem tem o poder é ele. Precisamos corresponder a confiança que o povo depositou em nosso grupo político, no vereador Giselio, do vice- prefeito Djalma, do prefeito Franco e do líder político que é José Aldemir. A região da praia precisa de ações estruturantes, melhorar a educação, a segurança pública, tendo em vista  o crescente aumento de assaltos.  É  preciso reforçar o policiamento em toda a região da praia, com isso teremos um comércio forte e acreditamos que o prefeito a partir de janeiro, tomará medidas enérgicas, e aí sim, esse grupo político poderá fazer o que povo espera, porque   vereador não trabalha sozinho.  Faço aqui um apelo aos munícipes que acompanhem as sessões da Câmara, só assim eles verão como atua o vereador que eles  elegeram, se seu discurso está coerente com as promessa feitas na campanha. Como representante da região da praia espero que o prefeito atenda as expectativas da população, porque não foi fácil virar o jogo político de Esplanada. A população da região da praia pode ficar tranquila quanto a minha atuação e a do meu grupo político, do meu sobrinho que é o vereador André e do meu irmão, o vice-prefeito Djalma. Não tratamos o povo como moeda de troca,  nossa família honra a tradição de respeitar seus eleitores,  e o resultado disso colhemos nas urna a cada eleição. Quero dizer ao povo da região da praia que as promessas  de  campanha serão cumpridas, meu grupo é da base de sustentação do governo, não aceitaremos outra situação de subserviência. Quem está com a máquina na mão é o prefeito, então não há mais tempo a perder é preciso fazer um diagnóstico sério da administração e botar o secretariado para trabalhar. É  disso que Esplanada precisa e nós como fiscais da população não cruzaremos os braços.”

Giselio Brito de Lima – Giselio.Vereador eleito de Esplanada pelo PSD (Partido Social Democrático).

 

 

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