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Candidata laranja do PSL recebeu R$ 400 mil de verba pública a quatro dias da eleição


Publicado em: 10/02/2019 10:29
Por: Luciano Bivar | Foto: Valter Campanato / Agência Brasil


Uma candidata laranja do PSL, em Pernambuco, recebeu R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. Segundo apurou a Folha de S. Paulo, a candidatura a deputada federal de Maria de Lourdes Paixão, 68, foi criada pelo grupo do atual presidente da legenda, Luciano Bivar (PSL-PE).

Com apenas 274 votos, Lourdes Paixão foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país. O valor foi superior ao repassado para a campanha do presidente Jair Bolsonaro e a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que alcançou mais de 1 milhão de votos.

Ainda de acordo com a publicação, a direção nacional do partido enviou o dinheiro para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição. O comando da legenda era ocupado interinamente, na época, pelo atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebiano. Ele foi também coordenador da campanha de Bolsonaro.

A prestação de contas de Lourdes Paixão, que é secretária administrativa do PSL em Pernambuco, informa que 95% dos R$ 400 mil foram gastos para impressão de cerca de 9 milhões de santinhos e 1,7 milhão de adesivos. Todo o serviço foi registrado às vésperas da eleição, que aconteceu em 7 de outubro. Considerando-se o contrato informado de quatro panfleteiros, seria necessário que cada um distribuísse 750 mil santinhos por dia.

Em visita aos endereços informados na nota fiscal e na Receita Federal, a Folha não encontrou sinais de que a gráfica tenha funcionado durante a eleição.

Em entrevista, Lourdes Paixão disse não se lembrar do nome do contador, da gráfica ou do volume de material. Ela também não soube explicar o motivo de ter sido escolhida como candidata e recebido um dos maiores recursos da legenda. “Recebi um valor expressivo do partido, mas acontece que quando eu vim a receber já era campanha final, entendeu, e não deu tempo para eu meu expandir”, justificou.

Ata de reunião extraordinária do PSL em Pernambuco, realizada em 7 de agosto, aponta que a candidata foi escolhida de última hora para preencher vagas remanescentes para adequação à cota de gênero, que exige 30% dos candidatos do sexo feminino.

“Eu considero a regra [errada]. É isso que eu estou dizendo que vocês têm que bater”, afirmou Bivar quando questionado sobre o assunto. “Você tem que ir pela vocação. Tá certo? Se os homens preferem mais política do que mulher, paciência. É a vocação. Se você fosse fazer uma eleição para bailarinos e colocasse uma cota de 50% para homens, você ia perder belíssimas bailarinas. Porque a vocação da mulher para bailarina é muito maior. É uma questão de vocação, querida. Eu não sei como é na sua casa, mas acho que seu pai seria candidato e sua mãe, não. Ela prefere outras coisas, ver o Jornal Nacional e criticar. Do que entrar pra vida partidária. Não é muito da mulher”.

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