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Bahia pode revelar liderança nacional do PT com reeleição de Rui


Publicado em: 23/08/2018 20:35
Por: Tasso Franco


Bahia tem uma das eleições mais tranquilas para governador do Estado e pode nascer daí uma liderança nacional no PT.

A pesquisa Ibope/TV Bahia (Globo) divulgada ontem sobre a sucessão na Bahia revela que, se as eleições fossem hoje, o governador Rui Costa (PT) estaria eleito no primeiro turno uma vez que marcou 50% das intenções de votos contra 8% do seu principal adversário, o demista José Ronaldo de Carvalho.
   O favoritismo de Rui já está sendo previso há algum tempo sobretudo depois que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), desistiu de sua candidatura e Zé Ronaldo, então prefeito de Feira de Santana, nome ainda pouco conhecido no estado assumiu a responsabilidade de ser candidato a governador como uma espécie de ‘tampão’.
   Havíamos falado anteriormente, desde a desistência de Neto, que Rui poderia encomendar o terno de posse de sua reeleição. O Ibope só confirma.
   Há de se dizer que Zé Ronaldo é desconhecido do eleitorado estadual tão quanto fora Rui, em 2014, o que não deixa de ter algum ponto de verdade. Mas, é bom lembrar que Jaques Wagner, eleito e reeleito governador duas vezes em primeiro turno (2006/2010) preparou Rui para ser governador, sobretudo a partir de 2012, quando este tornou-se um supersecretário e uma espécie de vice-governador percorrendo o interior sob a orientação de Wagner fazendo o papel de governador, inaugurando obras e distribuindo tratores e cisternas.
   Além disso, os governos do PT atuam com maciça propaganda de ‘mass-midia’, o de Wagner muito mais democrático do que o de Rui, difundindo muitas coisas sequer existentes (Fiol, Ponte de Itaparica, Porto Sul, patronos do Metrô, fábrica de automóvel. etc) e isso tem ajudado bastante. Outras obras são reais. O principal destaque a instalação de novos hospitais promessa de Rui da campanha de 2014 efetivada.
   Outro ponto importante foi a derrapagem de ACM Neto em ceder o Metrô ao Estado, ainda no governo Wagner, o qual pegou o bonde andando e inaugurado por João Henrique e João Leão, tomou para sí e ao PT, ampliou com Rui e se tornaram “donos” do metrô.
   Mas, o ponto central mais importante envolve a questão política e o PT foi competente em manter e ampliar as alianças com os principais partidos do estado (PSD, PP, PR, PCdoB, PSB) e até anulando de uma vez por todas a pretensão da senadora Lidice da Mata (PSB) em ser uma terceira via no Estado, tentativa que se inciou em 2014 e virou fumaça, rejeitando sua possível reeleição ao Senado e colocando em seu lugar uma apadrinhado do senador Otto Alencar, o presidente da ALBA, Angelo Coronel.
   Dessa forma, o PT de Rui e Wagner, isolou as oposições e se beneficiou ainda mais diante da prisão de Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula, que desmantelou o MDB na Bahia; foi beneficiado com a fragilidade do PSDB baiano carimbado com Antonio Imbassahy ministro de Michel Temer, e um DEM cujo líder maior no Estado, ACM Neto, cometeu grave erro político ao desistir em candidatar-se a governador.
   Criou-se, assim, um vácuo, um buraco negro, preenchido por Zé Ronaldo e abnegados opositores ao governo do Estado que percorre o território e ainda não conseguiram sequer atingir o número histórico do DEM de forma isolada que gira em torno de 20% a 25% do eleitorado, desde os primórdios de Josaphat Marinho (PFL), em 1986.
   A essa altura beirando o mês de setembro não dá mais para reagir. Rui Costa faz um governo bem avaliado pela população e embora o Estado da Bahia tenha os piores indicadores do país em segurança educação e saúde, não consegue gerar empregos, afundou o turismo e o estado é o 16 em eficiência, a população aprova.
   Rui é simpático, passa humildade, seu governo não tem marcas de corrupção, os partidos estão bem acolhidos, os sindicatos idem, os servidores estaduais não têm aumento de salários há 4 anos mas nada falam, então, na ótica da população deve ser reeleito. Parece que esta valendo a máxima: ruim com Rui; pior sem Rui.
   Para o Senado, como também era de se esperar, Jaques Wagner lidera com 35% das intenções de votos; seguido pelo irmão Lázaro 23%; Jutahy Magalhães Jr 14%; Angelo Coronel 7%; e Jorge Viana (MDB) 6%.
   É um resultado que deve ser alterado no decorrer do afunilamento da campanha. É provável, como vem acontecendo historicamente, que com a reeleição de Rui praticamente garantida a força de sua chapa eleja os dois senadores Wagner e Coronel.
   Noutras eleições, desde 1986, esse fenômeno acontece na Bahia. Se o irmão Lázaro conseguir quebrar esse dado histórico será uma façanha e tanto. Hoje, no Brasil, também acontece esse mesmo fenômeno em Minas Gerais onde o candidato Anastazia (PSDB) lidera a pesquisa com 9% de frente para o governador Pimentel (PT), mas, a ex-presidente Dilma aparece como a mais votada para o Senado.
   Na Bahia, certamente que o marketing petista eleitoral vai incentivar via TV/Rádio e Redes Sociais o voto casado governador e os dois candidatos ao Senado. Não há dúvidas sobre essa estratégia. De camarote mesmo só quem se encontra é João Leão (PP) o candidato a vice de Rui.
   E, de certa forma, o próprio. Mas ele já disse que vai comer poeira pelas estradas da Bahia.
   Detalhe final: a eleição presidencial na Bahia não pesa em nada. Haddad não ajuda Rui, muito pelo contrário; e Alckmin não ajuda Ronaldo. E até o fenômeno Bolsonaro não mexe na empacada candidatura de João Henrique.

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