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As lições da terra de Fidel


Publicado em: 17/11/2018 10:55
Por: Dilton Santiago / Foto: Arquivo Jornal Folha da Capital


No período de 11 a 18 de setembro de 2013, estive, juntamente com um grupo de jornalistas e operadores de turismo de várias regiões do Brasil, visitando a nação-ilha mais populosa do Caribe. Cuba está se abrindo para o mundo e vem destacando-se no cenário turístico internacional devido a fortes investimentos no setor hoteleiro. Chega a ser impressionante a capacidade que o povo cubano tem de se orgulhar da sua história, de seus hábitos e da sua cultura. Durante a estadia na ilha, visitamos seis cidades em cinco dias, com destaque para o que considero uma verdadeira façanha: os engenheiros cubanos construíram em menos de três anos, uma estrada de asfalto sob o mar, interligando Santa María a província de Villa Clara, percorremos os 48 quilômetros de extensão da estrada denominada de Pedra Plena (de ônibus), a visão é deslumbrante.

Visitando hospitais e escolas no centro da Havana Velha, pude então reconhecer a diferença do socialismo cubano e da “democracia” de alguns países, incluindo o nosso Brasil. Nos hospitais, não presenciei nenhum cidadão esperando (quando não morrendo) em grandes e perversas filas à espera de atendimento médico. Em um consultório Médico de Família, havia apenas três pacientes, aguardando em uma simples e confortável unidade de emergência, resultado da atenção básica na área da saúde preventiva, modelo de medicina que Cuba vem exportando para o mundo. Lá, eles tem a estatal BiofarmaCuba, indústria voltada para o desenvolvimento de produtos médico-farmacêuticos, obtidos por via da engenharia genética e da biotecnologia, resultando em uma moderna indústria de medicamentos.  Em Cuba, hoje, para uma população de pouco mais de 11 milhões de habitantes, existem quase 12 mil Consultórios Médicos de Família.

Observei também, escolas repletas de alunos impecavelmente uniformizados e nenhuma criança pedindo esmolas nas sinaleiras. Há poucas pessoas para cuidar da limpeza urbana, mesmo assim as ruas são mantidas limpas, logo me veio à comparação com a velha Salvador da Bahia, onde a combalida prefeitura municipal, gasta um milhão de reais, diariamente, para recolher toneladas de lixo espalhadas por seus cidadãos onde quer que vá. A comparação vale também para a requalificação de seu patrimônio histórico e arquitetônico que, com o apoio da Unesco, transformou Havana em um grande canteiro de obras que, diferente do nosso Pelourinho, está fervilhando de visitantes de diversas partes do mundo, totalizando mais de 3 milhões de turistas/ano, proporcionalmente mais que o dobro do que recebe toda a Bahia.

Os pontos negativos

Houve muita demora na entrega das bagagens, onde aguardamos por quase duas horas (o aeroporto de Havana está sendo reformado), a oferta de pontos de telefonia e internet precisam melhorar, e muito. Além de caro, o serviço é ineficiente em todo o país, até mesmo nos luxuosos resorts de Varadero. O transporte público também deixa a desejar, mas já se vê progresso, grandes montadoras a exemplo da Hyundai, Citroen, Fiat e da francesa Audi, já marcam presença por lá.

Muitos teimam em reconhecer as condições mínimas para uma vida dígna e igualitária garantidas pelo governo de Cuba aos seus cidadãos e estrangeiros que lá estudam ou trabalham. A capital cubana é uma metrópole com cerca de três milhões de habitantes e qualquer pessoa pode caminhar por suas ruas e guetos a qualquer hora do dia ou noite, sem medo de assalto ou sofrer qualquer tipo de violência. Política à parte, Cuba possui uma taxa de analfabetismo de 0,2% (ocupando 1º lugar do ranking educacional mundial,  juntamente com a Estônia e Letônia). Uma taxa de mortalidade infantil inferior até mesmo à de alguns países desenvolvidos e uma expectativa de vida média de 80 anos. O país de Fidel Castro compartilha o que tem, dentro e fora de suas fronteiras, como expressão da essência humanista da Revolução e exemplo da possibilidade de que prevaleça um mundo mais solidário e justo, a pequena ilha é uma lição para o mundo do capital.

(*) Dilton Santiago (de chapéu e camisa laranja) é jornalista e esteve em Cuba a convite do governo cubano. A excursão contou com diversos agentes de turismo de alguns estados do Brasil além de outros veículos de comunicação.

 

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