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O “novo” elemento na sucessão estadual de 2022


Publicado em: 05/05/2019 11:00
Por: Raul Monteiro Foto: Elói Correa/GovBav


Senador Jaques Wagner, única unanimidade no governo Rui Costa para sucedê-lo, em 2022

O senador Jaques Wagner (PT) ajudou a colocar um elemento “novo” nas discussões sobre a sucessão estadual de 2022 esta semana, ao declarar que não há hipótese de disputar a Prefeitura de Salvador, no próximo ano, mas que não pode falar o mesmo sobre a disputa pelo Palácio de Ondina, daqui a quatro, quando encerra o mandato do afilhado político Rui Costa (PT). De fato, o candidato de Wagner à sucessão de ACM Neto (DEM) é conhecido nos meios políticos, especialmente em seu partido, e responde pelo nome de Guilherme Bellintani.

Por incrível que pareça, trata-se de um ex-auxiliar do prefeito cujos defensores do direito de ser apoiado pelo PT, no entanto, dizem abrigar no peito um enorme, generoso e vermelho coração de esquerda. A manifestação de Wagner, entretanto, tem outro público. Ela se dirige, principalmente, aos partidos da base aliada, que se agitam ante o fato de, junto com o fim do mandato de Rui, o PT estar completando 16 anos no comando do governo baiano, tempo que as siglas que integram a base do governador acham que é mais do que suficiente para uma agremiação exercer o poder.

No fundo, eles consideram que o PT deveria reconhecer ser aquele o momento de abrir espaço para as outras forças e conduzir, ele próprio, o processo pelo qual aqueles que fazem parte do mesmo grupo político, possam, de forma harmônica, disputar a condição de liderá-lo a partir de 2022. Wagner sabe que é hoje a única unanimidade no time dos que apóiam seu governdor. Não são poucos os aliados que vocalizam, ainda que em privado, que só aceitariam abrir mão de uma candidatura própria à sucessão de Rui caso o senador resolva disputar as eleições estaduais.

Sua ausência deste processo, portanto, é roteiro certo de conflitos. Como hoje todas as apostas indicam que Rui vai se afastar do governo antes do fim do mandato para disputar uma vaga ao Senado – muitos chegam a falar numa eventual candidatura sua pelo PT à Presidência da República, idéia na qual tantos outros não acreditam -, a renúncia vai implicar em que o vice, João Leão (PP), assuma o cargo de governador, transformando-se num candidato natural, pela tradição política, à própria sucessão.

É aí que a confusão começa. Por que, de posse da cadeira de governador do Estado, dirigindo um partido cuja ambição política é conhecida, Leão vai abrir mão do direito de concorrer em favor, por exemplo, do senador Otto Alencar (PSD), apontado como nome preferido tanto de Wagner quanto de Rui para herdar o comando do grupo em 2022? Wagner entraria em campo exatamente para evitar que o time que competentemente liderou de forma coesa até agora se espatife e entregue o Palácio de Ondina de mão beijada a ACM Neto (DEM), candidato com que as oposições esperam promover a “mudança” no comando do Estado.

* Artigo do editor de Política do jornal Tribuna da Bahia.

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