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‘A Cantina da Lua não fechou nem fechará jamais’, garante Clarindo Silva


Publicado em: 10/05/2018 10:19
Por: James Martins | Foto: Tácio Moreira / Metropress


Ponto fundamental do Centro Histórico, o bar e restaurante também sofre com a crise, mas, de acordo com seu comandante, sua força cultural é maior.

A crise do Pelourinho, que já se arrasta há anos, atingiu até a Cantina da Lua: ponto tradicional do Centro Histórico de Salvador, muito mais que um bar ou restaurante, verdadeira embaixada responsável pela revitalização do local entre as décadas de 1980 e 1990. No final da semana passada, o local, fundado há 73 anos, teve parte de seu mobiliário (mesas e cadeiras) leiloado pela Justiça para quitar cerca de R$ 12 mil em dívidas trabalhistas. Por causa disso, os maus ventos da boataria se espalharam pela cidade dizendo que a Cantina fechou. Ou iria fechar.

Clarindo Silva, que há 46 anos comanda o estabelecimento, foi enfático: “A Cantina não fechou nem vai fechar. Enquanto vida eu tiver, jamais! Eu tenho certeza que, se levarem todas as mesas e cadeiras, essas que agora foram postas no lugar, meus clientes, aqueles que sabem a importância desse lugar, certamente comerão com o prato na mão, mas não vão permitir que essa casa feche”. Visivelmente emocionado, ele completou, evocando outros planos de providência: “Deus, que é grande, os irmãos de luz, os orixás não vão permitir que essa casa feche”.

“Minha ligação com o Pelourinho é espiritual”, continua Clarindo, ao lembrar sua trajetória no bairro. “Cheguei aqui com 12 anos como empregado doméstico. Fui batedor de ferrugem, auxiliar de balcão, balconista, sub-gerente, gerente, contador, depois fiz jornalismo, fui trabalhar n’A Tarde, Tribuna da Bahia e, quando meu filho mais velho nasceu, eu abri mão desses dois empregos e arrendei as duas portinhas da Cantina da Lua e não posso abrir mão dessa referência forte”, diz o doutor Honoris-Causa pela Université Libre des Sciences de L’Homme de Paris.

 

 

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